CLIPPING SEBRAE
O sotaque não denuncia a origem. Marinete Veloso, 66 anos, tinha apenas três anos quando deixou o Recife rumo a São Paulo com os pais. O “Sul maravilha” foi um recomeço para a família. Seu José, o pai, nascido em Pesqueira, era fotógrafo lambe-lambe. Foi trabalhar como garçom na pauliceia desvairada. Dona Francisca, a mãe, era de uma tradicional família paraibana. Preferiu ir para São Paulo porque não queria morar na casa da sogra.
Os anos se passaram, seu José e dona Francisca montaram uma loja de tecidos. Marinete cursou letras e começou a dar aulas. Casou-se com um médico cearense e foi morar no Crato, onde ficaram por dois anos. O marido não queria que ela trabalhasse. Ela bateu o pé. Foi dar aulas na universidade. “Mas eu não queria o salário só de professora.” Foi fazer jornalismo. Durante oito anos, trabalhou como professora pela manhã e jornalista à tarde.
Até que Marinete foi chamada pela Renault do Brasil para trabalhar na assessoria de imprensa. Era 1996. A montadora francesa estava chegando ao país, construindo fábricas. Marinete virou gerente, diretora-adjunta de comunicação e, enfim, diretora de comunicação da empresa. Ficou 16 anos lá, até que teve de se aposentar compulsoriamente. Aposentou-se. Fazer o quê?
Marinete trabalhou até as 19h de uma sexta-feira. E então a ficha caiu. E agora? Foi para falar da experiência do imediatamente antes, do durante e do depois que ela foi convidada a dar palestra de abertura da sexta edição da Expo Money Recife. “Há vários tipos de aposentadoria: aquela em que a pessoa para de vez, a que a pessoa abre depois um negócio, a que vai trabalhar em outra coisa”, lembra Marinete, que se tornou a primeira aposentada da Renault do Brasil. Para ela, que não queria pensar em parar, a solução foi buscar outras coisas para fazer (palestras, resenhas de livros), ganhando dinheiro com elas. Marinete acredita que parar de vez não deveria estar nos planos de nenhum brasileiro, por conta do aumento da longevidade.
Ela acredita que o profissional precisa se preparar para se autossustentar, especialmente se for trabalhador de empresa privada, que terá de se virar com o benefício do INSS. “Pode fazer previdência privada, outro tipo de investimento. Mas não é uma questão só de finanças. É de cabeça também.”
A solução para o futuro pode estar no networking, a rede de relacionamentos que o profissional constrói durante os anos. Mas ela alerta que, para funcionar, deve estar ativa. Ou seja, ter uma coleção de cartão de visitas guardada na gaveta não serve. O empreendedorismo também pode ser cogitado para o futuro pós-carreira. Mas só para quem tem veia empreendedora. Uma ida ao Sebrae pode ser ajudar.
Mara Luquet, jornalista especializada em finanças e curadora do circuito Expo Money 2013, afirma que a aposentadoria deve começar a ser pensada já no momento do nascimento da criança (pelos pais, obviamente). “Mais do que deixar dinheiro para o filho, os pais devem ensiná-lo a montar e gerir o patrimônio.”

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